Manter ou actualizar o clássico?

PedroMendes-1254Por Miguel Éfe

Não conheço melhor Simon and Garfunkel do que conheço outros. Na realidade, depois do concerto Central Park e do álbum Graceland do Paul Simon, ouvi muito pouco mais antes deste projecto.

Mas será preciso conhecer a obra inteira de dois artistas para reconhecer o seu valor?

Talvez não…

Se eu fosse a querer conhecer a obra inteira de Bach, provavelmente não me chegavam os anos que tenho de vida. E, no entanto, basta algumas obras bem seleccionadas para ficar impresso na alma a vida inteira.

Seja como for, se este duo ainda não foi esquecido da história da música ligeira do século XX, é porque a sua música se mantêm actual. Ainda hoje…

Agora a grande dúvida persiste: Fazer igual ou dar-lhe outra roupagem interpretativa? “Estragar” o que já é bom ou mostrar que tem mais dimensões do que aparenta?

A dúvida vai persistir por um bom bocado. Como em todos. Como em tudo..

Paul Simon – “el compositor” maravilha da dupla

Foto de Paul Simon
Foto de Myrna Suarez para a Rolling Stone

Por um “aspirante a” ser Paul Simon

Não é de estranhar porque escrevo sobre este grande músico que tem inspirado a minha carreira. Eu tenho uma admiração enorme pelo próprio Paul Simon: não pelo facto de ter nascido um dia depois do meu aniversário (nasceu a 13 de Outubro, mas 49 anos antes de mim) mas sim pela sua enorme musicalidade e virtuosidade que tem demonstrado ao longo da sua carreira.

Tal como disse no artigo anterior, foi depois de umas longas férias que conheci canções como “Homeward Bound”, “The Boxer”, “America”, “Bridge Over Troubled Water” (além do Mrs Robinson, que já vos contei a estória) e de facto conquistaram o meu coração e o meu iPod (tendo um lugar de destaque na memória dele, ocupando uns bons megabytes). Evidentemente que, ao percorrer a discografia de Simon and Garfunkel, outras canções foram-me suscitando muita curiosidade. Temas como “Overs”, “At The Zoo”, “The Only Living Boy in New York”, “Patterns”, “The Most Peculiar Man”, “Flowers Never Bend With the Rainfall” ou “Punky’s Dilemma” são uma pequena parte de uma enorme genialidade de Paul Simon e que, pelo que tenho investigado nos últimos anos, não obtiveram a projecção igual às dos temas que referi anteriormente.

Um disco que claramente me chamou a atenção foi o “Bridge Over Troubled Water” de 1970. Por um lado, representa a maturidade musical e instrumental desta dupla maravilha e, por outro lado, também representou o fim da banda aquando do seu auge na carreira. Neste disco, já com uma sonoridade totalmente diferente dos anteriores, inclui-se tanto a influência do Folk-Rock que vigorara na época mas sobretudo as influências do Rock n’ Roll dos anos 50/60, que na minha perspectiva está em maior evidência neste álbum. O facto de incluir uma canção ao piano tocado soberbamente por Larry Knechtel (Bridge Over Troubled Water) bem como uma canção “So Long Frank Lloyd Wright” (atrever-me-ia a dizer que é de influência do Jazz/Bossa Nova) revelam uma maturidade enorme na composição de Paul: foi muito mais além do que apenas uma canção à guitarra acústica folk.
Mas claro, como tem acontecido na História, muitas bandas acabaram no seu auge e, neste caso, Paul Simon estaria a atravessar uma fase de procura de novos sons para as suas composições.

Não obstante, um outro disco, mais prematuro musicalmente, mas que também teve destaque nas minhas investigações: “The Paul Simon Songbook” de 1965. Este disco representa um período em que o Paul Simon se refugiou por uns largos meses em Inglaterra para se inspirar musicalmente e ganhar novas influências, já que o primeiro disco que lançou com Art Garfunkel (Wednesday Morning 3 AM) não vendeu muitas cópias. É nesta fase que conhece a sua namorada na época, Kathy Chitty (que aparece na capa deste álbum) e torna-se a sua “musa inspiradora” para o “Homeward Bound”, “America”, Kathy Song”, “April Come She Will”, onde nelas está incluída esta estória de amor. É deste disco que saíram canções que entretanto foram regravadas para os álbuns seguintes.

Finalmente, um outro marco da carreira de Paul Simon é o disco “Graceland”. Sei que estamos a falar num projecto de tributo ao Concert in Central Park 1981 e que de facto marcou a carreira da dupla, mas até então e antes do lançamento do disco “Graceland”, Paul Simon teve pouco destaque a nível artístico. Neste disco, Paul procurou uma sonoridade completamente diferente do que tinha feito nos discos anteriores e foi se inspirar e gravar com músicos sul-africanos.
Este disco representou o “ressuscitar” da carreira de Paul, já que o disco anterior, Hearts and Bones, foi um fracasso comercial e Paul tinha passado por um período de depressão. A partir de então, este músico passou a gozar de uma carreira com mais destaque a nível internacional, fugindo dos “standards” da sua época e afastando-se um pouco da “sombra da bananeira” do Simon and Garfunkel.

Como podem ver, é muito complicado falar em tão curto espaço de uma carreira que foi soberba a todos os níveis. Com muitos altos e baixos é certo, mas nunca deixou de ser um músico com a sua própria pegada, a sua própria voz muito característica e que se reconhece à distância. De facto, nunca prescindiu da sua própria sonoridade, mesmo com a pressão do “standard musical” que corre nos dias de hoje.

Quando comecei a ouvir Simon and Garfunkel

PedroMendes-1216Por Jaime Santiago, “tendencialmente” Paul Simon no projecto

Imagino que os leitores deste website e fãs do projecto gostem das canções do grupo Simon and Garfunkel. Eu não sou excepção e certamente todos vós têm histórias diferentes de como começaram a ouvir esta grande dupla. Vou vos contar a minha.

Estava algures em 2007 a passar férias perto de Lagoa e um dia estava a vasculhar o iPod do meu primo e apareceu uma canção chamada “Mrs Robinson” de um tal “Simon and Garfunkel”. E eu perguntei ao meu primo: “Só tens esta canção deles?” e ele respondeu: “Sim, também não conheço praticamente mais nada deles” retorquiu com algum desdém e com algum orgulho de só ter aquela canção no iPod.

Depois dessas férias, fui investigar mais sobre este grupo e encontrei canções como “The Sound of Silence” (que penso já tenha ouvido na rádio antes mas nunca associado a nenhum grupo, as chamadas “canções que passam na rádio”), “Homeward Bound”, “The Boxer”, “America”, “Bridge Over Troubled Water”. Conclusão: canções que passei a ter no meu iPod, além do “Mrs Robinson” que eu tinha gostado muito, claro.

Ainda nesse ano, ofereceram-me no meu aniversário o DVD de um tal concerto no Central Park em 1981, até tinha uma capa muito catita mas não dei logo importância a esse Dvd, muito menos não me suscitou muito interesse em investigar sobre o assunto.
Mais tarde, descobri à venda uma caixa com todos os álbuns de estúdio que eles lançaram durante a sua carreira. Evidentemente que comprei a partir daí que comecei a conhecer melhor o reportório da banda e comecei a ouvir as canções repetidamente no meu estimado iPod, quer na escola quer em casa.

Finalmente, vi o DVD “Concert in Central Park” e fiquei estupefacto quer com a qualidade sonora quer com a qualidade musical que eu não nunca tinha visto antes e foi um concerto que me tocou imenso, senti-me empolgado como se tivesse lá estado a gritar por eles no meio de mais de 500 000 pessoas que foram assistir. A partir daí passei a amar esse concerto e foi um ponto de viragem no meu gosto musical e entusiasmei-me ainda mais em cantar e a tocar na guitarra as canções desta grande dupla.

É com este testemunho que me inspira a fazer jus a uma carreira destes incríveis “Tom and Jerry” não esquecendo a influência que eles tiveram no panorama musical americano dos anos 60, numa altura proliferavam as canções Folk e canções de intervenção acerca do que se estava a passar naquela época.

Passados estes anos todos, nunca tinha imaginado alguma vez encontrar um parceiro que gostasse tanto como eu das canções do Simon and Garfunkel e muito menos fazer um tributo com estas características, por isso é um privilégio para mim estar a fazer este projecto.

As origens

PedroMendes-1194

Foi após mais um ensaio do Emotion Voices, numa daquelas tradicionais noites que rapidamente se transformavam em ‘noitadas’ de cantoria coral, que o Jaime trouxe a guitarra e começa a dedilhar o ‘The boxer’.

Mil e uma recordações (dos tempos das cassettes) irromperam na minha mente. Sem me aperceber, cantava a parte do Garfunkel, como se ainda tivesse 14 anos, enquanto que o Jaime assumia o papel de Simon…
‘ – E sabes o Mrs. Robinson?’ – perguntava eu, ávido de mais uma canção desse duo…
‘-E o Scarborough Fair? E o America? E sabes o…?’

Era impossível ficar indiferente, enquanto as nossas vozes se entrelaçavam como se fossem uma.

E a ideia começou a surgir. Primeiro numa tímida centelha na nossa mente, e depois quase sem precisarmos de verbalizar, já sabíamos que seria esse o nosso caminho.

Cantarmos juntos. Simon and Garfunkel. E não só…